SOBRE A ESCOLA

     A Escola Agrícola Terra Nova nasceu no ano de 2010 e está localizada na 10ª Agrovila no município de Terra Nova do Norte distante aproximadamente 50 km do núcleo urbano.

     A escola atende 260 estudantes de 15 municípios, sendo eles Nova Guarita, Peixoto de Azevedo, União do Norte, distrito de Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Colider, Nova Santa Helena, Itaúba, Tabaporã, Marcelândia, Cláudia, Nova Canaã do Norte, Terra Nova do Norte e Altamira e Novo Progresso no Sul do Pará, proporcionando formação técnica que visa contribuir para o desenvolvimento da região, especialmente do pequeno produtor, buscando fomentar cada vez mais a agricultura familiar.  

CONTEXTUALIZAÇÃO DA PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA NA REALIDADE BRASILEIRA E NO MUNICÍPIO DE TERRA NOVA DO NORTE - MT 

 

As Escolas Família surgiram das necessidades dos agricultores, em proporcionar aos seus filhos, uma educação que contribuísse para o desenvolvimento de sua própria realidade.

A alternância como estratégia e alternativa de formação no meio rural é uma Pedagogia fortemente presente em todos os continentes na formação profissional de adultos no meio rural. Ela surgiu em 1937 no Sul da França como alternativa educativa de jovens agricultores. Mais tarde ao final dos anos 40, o educador André Duffaure começou a denominar em suas publicações e nos meios acadêmicos a maneira de articular os períodos, os saberes, as lógicas de cada meio vivido de “Pedagogia da Alternância”. A sistemática da formação em alternância consistia em reunir jovens agricultores em locais adquiridos ou construídos pela comunidade local, normalmente constituído de famílias de agricultores que formavam uma associação para esse fim.  

No Brasil, as Escolas, Casas, Centros de Formação ou EFA’s, que praticam a Pedagogia da Alternância são tratadas dentro da literatura especializada como uma das pedagogias do trabalho porque funciona como uma pedagogia preocupada com a relação entre a vida prática e a escola numa relação de integração permanente entre a teoria e a prática. Eis, portanto, a questão central da Alternância que alguns teóricos como Freinet, Cousinet, Derosches preconizavam como o maior desafio de escola moderna. Integrar a escola à realidade vivida (Cousinet 1966). Realizar aprendizagem pelo cruzamento de saberes práticos e teóricos (Derosches 1972) pedagogia experiencial Pineau (1992). Desta forma a vida ativa colocada como eixo problemático ganha todo o seu esplendor num processo de aprendizagem indutivo, inverso ao modelo didático tradicional que menospreza a lógica intuitiva dos sujeitos. 

A modalidade de formação em Alternância amadureceu, expandiu-se, ultrapassou fronteira, diversificou-se. Tornou-se uma modalidade de formação plena e um campo próprio. Atualmente as práticas pedagógicas em Alternância de inspiração francesa estão presentes em vários países, inclusive no Brasil. 

Reconhecida mundialmente como uma pedagogia da formação profissional, a Pedagogia da Alternância vem sendo aplicada em todos os níveis de escolaridade principalmente na Europa. Essa modalidade de formação que segundo Gimonet (1994) “ainda não revelou todos os seus segredos”. Não se caracteriza como uma pedagogia dos manuais, não é um produto de exportação de um país ou de um modelo cultural para o outro, não tem um fundador. Por isso há inúmeras experiências educativas que se desenvolvem em diferentes países que se inspiram em alguns princípios organizacionais, didáticos e pedagógicos de outras práticas já existentes o que torna a Alternância uma modalidade educativa alternativa em movimento permanente de construção e reconstrução. 

A Pedagogia da Alternância no contexto brasileiro pode ser situada como uma pedagogia jovem e em pleno crescimento. Fundada em 1968 no meio rural há 14 quilômetros da cidade de Anchieta, no Sul do Estado do Espírito Santo, o primeiro Centro Familiar de Formação em Alternância (CEFFA) foi chamado de Escola Família Agrícola (EFA). A primeira escola de toda a América Latina. A primeira EFA foi criada no seio do Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES), daí por diante as EFA’s foram se expandindo no interior do Espírito Santo formando uma rede de 14 escolas integrada a mantenedora MEPES e 06 pela rede Pública Municipal. Pelo interior do Brasil as EFA’s se expandiram guardando algumas semelhanças com o modelo capixaba e hoje formam um movimento federativo de escolas rurais agrupadas em vários regionais. 

Atualmente, articuladas em torno da União Nacional das Escolas Família Agrícola do Brasil (UNEFAB), o ensino em Alternância no Brasil constitui um campo de práticas pedagógicas alternativas comprometidas com a formação integral dos Jovens e indiretamente de famílias de agricultores preocupados com o desenvolvimento local.

Ao lado da França o Brasil ocupa o segundo lugar entre as 45 nações que adotam o modelo de Alternância de inspiração francesa.

Várias secretarias estaduais e municipais, de educação, turismo, de agricultura, cooperativas, sindicatos, igrejas e associações independentes vêm manifestando seus interesses em conhecer e/ou criar escolas com esta modalidade de ensino.

O Estado do Espírito Santo, berço das instituições educativas em Alternância, apresenta um quadro complexo. É o Estado que concentra o maior número e a maior diversidade de instituições pedagógicas em Alternância no meio rural.

Por ser uma pedagogia muito envolvente em 2006 o município de Terra Nova do Norte - MT em especifico na Escola Municipal São Pedro começa a discussão em fazer uso desta modalidade de ensino, criando o Projeto Viver do Campo, que possui como princípio a pedagogia de alternância, tendo por objetivo levar a escola para junto das famílias nas suas propriedades, dando subsídios teóricos e práticos para que os filhos dos agricultores acreditem que é possível viver no meio rural com dignidade, aproveitando os vários espaços de aprendizagem. No entanto, a forma como acontece em nosso município difere das escolas família agrícola do Espírito Santo, nesta escola os estudantes eram desde as séries iniciais até os anos finais do nível médio e sua manutenção é toda voltada para o poder público e parcerias.

Em 2008, no município houve a expansão da Pedagogia de Alternância e contava-se com 04 (quatro) escolas que possuiam tipos de alternância distinta, mas com os mesmos princípios metodológicos e ideológicos.

No ano de 2009 percebe-se a necessidade de uma formação técnica para dar sustentação as ideologias pregadas pelas escolas de educação do campo para fixação das famílias campesinas, pois o conhecimento técnico proporcionaria uma estruturação da propriedade fazendo com que passassem a ser produtivas e consequentemente melhorando sua qualidade de vida.

Para que as famílias percebessem que o conhecimento técnico era importante e necessário percebeu-se que na pedagogia de alternância o estudante faria paralelamente sua formação com a prática do seu cotidiano, pois ao mesmo tempo em que levantassem a problemática poderiam agir para transformar a realidade.

É neste contexto que surge então em 2010 a Escola Estadual Terra Nova, porém nas demais escolas onde se desenvolvia a pedagogia da alternância, por consequência da troca da gestão municipal e por ainda não estar efetivada como uma política pública para atender os povos do campo, a proposta de educação toma outros rumos não mais adotando a pedagogia de alternância.

Atualmente apenas a Escola Estadual Terra Nova, no município, adota como proposta de trabalho a pedagogia da alternância.

ESTRUTURA FUNCIONAL

 

ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

 

            A Organização Curricular da Educação Profissional Técnica de Nível Médio está estruturada através das áreas e disciplinas da base nacional comum, parte diversificada e as outras atividades complementares inerentes à vida e ao curso, garantindo a formação integral dos estudantes. Tendo em vista o desenvolvimento sustentável e solidário do meio comunitário e sócio-profissional, capacitando e habilitando os jovens na continuidade dos estudos e, sobretudo, a consolidação da base profissional para o exercício da cidadania como sujeito protagonista da sociedade e do seu tempo na nossa história.

Esse conjunto de atividades é articulado numa dinâmica de tempo e espaço, chamados Tempo Escola e Tempo Comunidade. A distribuição da carga horária desse conjunto de atividades obedece a uma lógica de adequação de cada atividade ao ciclo de desenvolvimento dos estudantes, bem como atender às exigências necessárias na formação do jovem de acordo com as etapas do processo de formação e do perfil final da formação.

A Educação Profissional Técnica de Nível Médio com Habilitação de Técnico em Agroecologia, oriunda do Eixo Tecnológico Recursos Naturais, tem no seu transcorrer os aspectos da Relação do Homem com a Natureza, da Nutrição, Sanidade e Reprodução das Plantações e Criações, da Diversificação Agropecuária e da Administração Rural, sendo que em momentos adequados, de acordo com o Plano de Curso e o ciclo de desenvolvimento dos estudantes, aumenta a intensidade desses aspectos.

Estes aspectos fazem parte dos Temas Norteadores do Plano de Curso de forma evolutiva considerando os níveis de desenvolvimento do estudante.  As cargas horárias das disciplinas/áreas serão distribuídas de acordo com a intensidade dos temas trabalhados, pois permeiam o curso, desde a fase inicial até a fase final.

As atividades relacionadas às disciplinas/áreas desempenham o papel de fornecer elementos para a reflexão e aquisição de habilidades técnicas a partir da realidade vivenciada e estruturada no Plano de Curso através do Tema Norteador.

As outras atividades integradas com as das disciplinas/áreas desempenham o papel de possibilitar a aquisição de hábitos e atitudes que contemplem nossos valores universais da solidariedade, do humanismo, da paz, da tolerância, da bioética e da transcendência humana.

Através do princípio da dinâmica da interdisciplinaridade, os conteúdos das disciplinas/áreas e das atividades se integram e se interagem flexibilizando a distribuição da carga horária dentro do plano de organização curricular, de forma que o conteúdo e o tempo de uma determinada disciplinas/áreas poderão estar contidos ou atividade, facilitando a adequação dentro do processo educativo.

 

METODOLOGIA DE TRABALHO A PARTIR DE TEMAS NORTEADORES

 

Acreditando que os Temas Norteadores têm como objetivo definir até que ponto aquela situação deve interferir na transformação da pessoa e daquela realidade em cada ano e em cada ciclo. Desta forma os temas norteadores serão definidos a partir da investigação dos estudantes acerca dos problemas que as comunidades envolvidas no curso de agroecologia estão enfrentando, já enfrentaram e que por ventura vierem a enfrentar.

O Enfoque do tema norteador será parte de interesse e motivação que é necessário para transformar a realidade. O enfoque deve ser constituído expressando o conteúdo da situação, desde os aspectos motivadores e situações hipóteses.

            A abrangência do tema é dizer o espaço que a situação vai atingir, a quantidade que vai ser trabalhada, a intensidade em cada momento do curso e o tempo dedicado à realização do trabalho.

O tema norteador constitui o principal instrumento de estudo. É um método de pesquisa participativa; possibilita analisar os vários aspectos da realidade do estudante, promove uma relação autêntica entre a vida e a escola.

Através do tema norteador as potencialidades da Alternância se viabilizam, tornando-se um ato concreto de fonte de reflexão. O tema é o canal de entrada da cultura popular, o responsável de levar para a vida cotidiana as reflexões, as questões e as conclusões.

Os temas da realidade, elaborado periodicamente pelos monitores e estudantes permite ligação com ao contexto vivido pelo jovem se torne o eixo central de sua aprendizagem. A princípio o estudante desenvolve temas mais simples ao cotidiano familiar, para depois caminhar em direção a temas mais complexos de caráter sócio-econômico.

O tema norteador é o instrumento que permite desencadear a motivação e a compreensão do significado político e social dos conteúdos em nível curricular. É o elemento que reúne a interrogação e o diálogo, que organiza a reflexão e desperta o interesse para um aprendizado dinâmico. É único e intransferível para cada grupo de estudantes, pois cada grupo vive situações e interesses distintos.

A escola que tem como princípio uma pedagogia própria, Pedagogia da Alternância, voltada ao meio rural e integrada aos Princípios e Fins da Educação Nacional consubstanciados nos Artigos 2º e 3º da Lei nº 9.394/96, aqui transcritos:

“Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do estudante, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

“Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

  1. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

  2. Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;

  3. Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;

  4. Respeito à liberdade e apreço à tolerância;

  5. Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

  6. Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

  7. Valorização do profissional da educação escolar;

  8. Gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino;

  9. Garantia de padrão de qualidade;

  10. Valorização da experiência extra-escolar;

  11. Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.”

 

PEDAGOGIA DE ALTERNÂNCIA

 

Promover a formação integral da pessoa buscando o desenvolvimento rural, através da aplicação da Pedagogia da Alternância, como processo educativo entrelaçado com a participação do estudante, família, comunidade e educador, não desvinculando o jovem do meio rural, do seu ambiente familiar e comunitário.

Segundo Queiroz (2004) é possível encontrar três tipos de alternância nos CEFFA:

a) Alternância justapositiva, que se caracteriza pela sucessão dos tempos ou períodos consagrados ao trabalho e ao estudo, sem que haja uma relação entre eles.

b) Alternância associativa, quando ocorre uma associação entre a formação geral e a formação profissional, verificando-se portanto a existência da relação entre a atividade escolar e a atividade profissional, mas ainda como uma simples adição.

c) Alternância integrativa real ou copulativa, com a compenetração efetiva de meios de vida sócio-profissional e escolar em uma unidade de tempos formativos. Nesse caso, a alternância supõe estreita conexão entre os dois momentos de atividades em todos os níveis – individuais, relacionais, didáticos e institucionais. Não há primazia de um componente sobre o outro. A ligação permanente entre eles é dinâmica e se efetua em um movimento contínuo de ir e retornar. Embora seja a forma mais complexa da alternância, seu dinamismo permite constante evolução. Em alguns centros, a integração se faz entre um sistema educativo em que o aluno 3 alterna períodos de aprendizagem na família, em seu próprio meio, com períodos na escola, estando esses tempos interligados por meio de instrumentos pedagógicos específicos, pela associação, de forma harmoniosa, entre família e comunidade e uma ação pedagógica que visa à formação integral com profissionalização.

A escola está amparada na legislação vigente, sendo:

• (PARECER CNE/CEB Nº:1/2006) A legislação aplicável à matéria de que trata este parecer – Centros Familiares de Formação por Alternância (EFA, CFR e ECOR), pode ser assim resumida (Lei n° 9.394/96- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional):

• Artigo 22 – A Educação Básica tem por finalidades desenvolver o estudante, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.

• Artigo 23 – A educação Básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar.

• § 2° - O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei.

 

Formação continuada

A consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca(...) É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente (FREIRE, 1996). Percebe-se na escola uma grande preocupação com a formação inicial e continuada de todos os profissionais envolvidos no processo educacional, pois se sabe que as mudanças de concepções e métodos educacionais são constantes, e é absolutamente inquestionável o fato de que os profissionais precisam estar constantemente atualizando-se. Salientamos a palavra profissional, pois hoje se reconhece que a educação não acontece apenas no espaço da sala de aula e, educador não é apenas o professor, mas todos aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos no processo educacional. Justificando-se no fato de que o ser humano aprende através da interação com o outro em todos os momentos ou situações que estiver presente. Segundo Cunha (1994, p.127), “... é fundamental muito estudo para dominar a matéria e a cultura mais ampla (...) domínio do conteúdo, a capacidade de interpretá-lo e localizá-lo histórica e socialmente...”.

A formação continuada acontece fortemente em consonância ao CEFAPRO do polo de Matupá, essa formação acontece em dois momentos distintos, sendo diretamente com a base pedagógica junto aos docentes e em outro momento com os profissionais administrativos em projetos na unidade escolar.

Para o grupo de professores é proposto um momento de encontro e troca de experiências nos momentos de planejamento coletivo, reuniões pedagógicas, previstas em calendário escolar, onde se reúnem todos os professores das diversas áreas do conhecimento sendo realizadas nessas reuniões, debates, estudos e o planejamento do trabalho pedagógico. De modo a viabilizar a formação continuada de todos os profissionais em exercício na escola, são previstas no calendário escolar no início do ano letivo e no segundo semestre letivo as Semanas Pedagógicas para o planejamento do trabalho semestral. Além disso durante o ano letivo toda sexta-feira após os estudantes serem dispensados o grupo de professores juntamente com a coordenação pedagógica se reúnem para discussão de pontos a serem melhorados e buscar estratégias de intervenção amparada em bases teóricas visando compreender os problemas existentes de forma a fortalecer o processo de ensino-aprendizagem.

 

INSTRUMENTO METODOLÓGICO

 

A escola deve tem como instrumento metodológico os seguintes pontos, planejamento, tempo escola.

 

Planejamento

 

O planejamento deverá ser organizado a partir de temas norteadores oriundos da realidade do estudante. O período do planejamento será feito considerando a alternância, realizado de forma coletiva envolvendo todos os professores das áreas de conhecimento, integrando as áreas de conhecimento permeando sempre o tempo escola e tempo comunidade.

O planejamento será sempre sistematizado observando o trabalho realizado no ano anterior. Todos os planos de aula serão elaborados a partir do planejamento coletivo.

Ao final do ano letivo todos os planos de aula serão encadernados e arquivados como material base para o ano subsequente. O professor terá a incumbência de produzir todo o material para o plano de aula sistematizado em forma de apostila, tendo sempre como objetivo principal, despertar a criticidade no estudante.

 

Tempo escola

O dia a dia do TE-Tempo Escola precisa ser muito bem planejado, no sentido de aproveitar da melhor forma possível todos os tempos/momentos. Desse modo as atividades são programadas desde o momento da chegada, na segunda feira, até o momento do retorno na sexta feira.

 

Chegada na escola

Segunda-feira ao chegarem à escola os estudantes acomodam-se em seus respectivos alojamentos e logo após é servido o café da manhã.

 

Almoço

            Às 11:00 todos os dias é servido o almoço. Nesse momento um grupo de estudantes é responsável pela organização para tal. É incumbência desse grupo, denominado grupo da cozinha, composto por estudantes diferentes a cada alternância, a organização do espaço, a colocação dos utensílios, servir a refeição e lavar a louça.

            As atividades desenvolvidas pelo grupo da cozinha acontecem em todos os momentos de refeição e tem o princípio formativo da solidariedade e do cooperativismo, uma vez que proporciona aos estudantes desenvolver a capacidade de servir o próximo, pois num outro momento alguém o retribuirá esse servir.

            Este grupo é monitorado por dois professores também sendo coordenado por alguns estudantes veteranos.

 

Momento de estudo teórico

Na segunda-feira, ainda no período matutino, os estudantes entregam as atividades desenvolvidas no tempo comunidade. No período vespertino em todos os dias do tempo escola as turmas se reúnem em sala para assistirem as aulas teóricas. A organização no tempo escola proporciona aos estudantes momentos de estudo teórico organizado por áreas de conhecimento (Linguagens, Ciências da natureza, Ciências humanas, Ciências agrárias e Matemática). O trabalho seguirá a seguinte metodologia: 1º. Motivação; 2º. Divisão de grupo; Obs: Neste momento o professor é o mediador (Questionar, contribuir com informações referentes ao tema estudado); 3º. Apresentação; (Neste momento o professor só assiste); 4º. Aprofundamento (Professor) Obs.: Para o sucesso da metodologia precisa: Disciplina, organização e cronograma...

A duração de cada aula teórica será de 4 horas. O horário das aulas teóricas será construído toda sexta-feira conforme a necessidade do trabalho do tempo comunidade.

 

Período da prática esportiva e cultura

Das 17:00h às 18:00h, os estudantes se ocupam das atividades esportivas e da cultura, atividades essas que acontecem todos os demais dias de semana até a quinta-feira.

As atividades esportivas envolvem práticas como Vôlei de areia; Quadra (Futsal, Handebol, vôlei e basquete); Caminhada; Zumba; Brincadeiras recreativas (queimada, roda de vôlei, futebol, betes, laço, tênis de mesa e xadrez);

Neste momento também ocorre o trabalho do grupo da cultura, este grupo planeja e organiza mística ou teatro para apresentação na quarta-feira no período noturno. Para o desenvolvimento destas atividades o grupo de estudantes é dividido antecipadamente de forma que todos possam passar pelo grupo da cultura, permanecendo neste grupo durante três alternâncias.

É neste horário que ocorre a oficina de violão para os estudantes que queiram aprender a tocar.

Cada grupo de atividade sempre terá um professor monitor e um estudante coordenador.

 

Momento da higiene pessoal

Das 18:00h às 19:00h, de segunda a quinta-feira, os estudantes têm o momento da higienização pessoal. Esse momento também ocorre pelas manhãs da terça à quinta-feira logo após o período de trabalho prático.

 

Jantar

Às 19:00h, no refeitório, é servido o jantar. Logo após acontece o trabalho da do grupo da cozinha e da organização para limpeza do ambiente.

 

Atividades noturnas

            Todas às noites, de segunda à quinta-feira, das 20:00h às 21:30h acontecem as atividades noturnas.

 

Planejamento dos grupos de trabalho

            Na segunda-feira os estudantes se reúnem em seus grupos de trabalho, incumbidos de planejar as ações a serem executadas durante todo o tempo escola (semana).

O planejamento das ações a serem realizadas durante todo o tempo escola deve ser observado: O que fazer? Onde fazer? Como fazer? Para que fazer? Quem o fará? E qual o material necessário para o desenvolvimento da atividade.

Este momento os grupos são monitorados por um professor responsável e logo após o planejamento é socializado no coletivo.

Oficinas

            Terça-feira à noite das 20:00 às 21:30 acontecem oficinas simultâneas que tanto podem ser lúdicas, teóricas e/ou práticas. Algumas oficinas são por turmas e outras são por grupo, onde os estudantes tem a possibilidade de inscreverem-se conforme suas preferências.

Esta atividade sempre é ministrada por um ou mais professores.

 

Cultura

            Quarta-feira à noite das 20:00 às 21:30 é o momento onde tem uma apresentação cultural, onde o grupo responsável juntamente com os professores monitores organizam representações (mística, teatro e música), trazendo temas inerentes ao contexto que envolve a realidade dos estudantes.

 

Reflexão

             Quinta-feira das 20:00 às 21:30 acontece o momento de avaliação da semana, onde os estudantes são divididos em grupos, independente de turma com a finalidade de levantar pontos positivos e negativos ocorridos em todos os momentos e espaços escolares, para que estes sejam socializados com o coletivo, buscando soluções para os problemas que virem a surgir e elogiar as atividades bem sucedidas. (Para esta atividade sempre terão dois professores que irão mediar o momento).

 

Café da manhã

            O grupo da cozinha também é responsável pelo café da manhã que às 4:00 da manhã é responsável pela preparação dos alimentos e organização do café da manhã.

            Às 5:30h os demais estudantes se levantam e se prepararam para o café que é servido às 06:00h.

 

Atividades do setor produtivo

 

As atividades do setor produtivo e organizacional acontecem no período matutino de terça a quinta-feira sempre do horário das 7:00h às 10:15h.

Cada grupo de trabalho previamente é organizado em forma de rodízio de maneira que no decorrer do curso os estudantes possam participar em todos os 12 grupos de maneira ainda que em cada grupo tenha estudante de todas as turmas. Cada estudante permanecerá neste grupo durante cinco alternâncias que é compreendido como um ciclo.

Cada grupo é monitorado por um professor e coordenado pelos estudantes veteranos.

 

Grupo da Administração

Tem como função cuidar das questões administrativas da escola, recebendo do professor monitor deste grupo todas as compras realizadas, sejam elas alimentícias, de limpeza e higiene, material de secretaria, além de receber toda a produção da escola para em seguida encaminhar para o grupo que irá utilizá-lo (Ex. Recebe a carne de frango abatida pela equipe do aviário e encaminha para a cozinha para ser preparada e servida nas refeições). Esta equipe também é responsável por planilhar todos os materiais e fazer o levantamento de investimentos de todos os setores da escola e no final do ciclo apresentar os custos gerais em plenária.

 

Grupo dos animais 01(suínos, abelhas, coelhos e minhocas)

Manterá a organização dos espaços dos animais como segurança e reparos nos ambientes, alimentação, manejo dos animais e controle dos índices zootécnicos, coleta de mel e realizar o abate dos animais.

 

 

Grupo dos animais 02 (bovinos e ovinos)

Manterá a organização dos espaços dos animais como segurança e reparos nos ambientes, alimentação, manejo dos animais e controle dos índices zootécnicos, ordenha das vacas, coleta de mel, bem abater os animais.

 

Grupo dos animais 03 (Aves)

Manterá a organização dos espaços dos animais como segurança e reparos nos ambientes, alimentação, manejo dos animais e controle dos índices zootécnicos, coleta de ovos, bem como disponibilizar e abater as aves.

 

Grupo das Construções

Todas as construções rurais de menor porte no aviário, construção de piquetes, baias, cercas, reparos ou reformas serão tarefas a serem realizadas pelos componentes desse grupo.

 

Grupo das Ferramentas

Este grupo é responsável pela conservação de todos os instrumentos de trabalho como motosserras, enxadas, foices, cavadeiras, carriolas, e equipamentos auxiliares à manutenção. Ficará a cargo desse grupo ainda o controle sistemático de entradas e saídas dos instrumentos e dar condição de trabalho aos demais grupos.

 

Grupo da Fruticultura

Este grupo é responsável pelo plantio de novas frutíferas e por realizar todos os manejos com as já existentes de forma a garantir que cheguem à vida adulta, saudáveis e produtivas. Também é responsável pela colheita das frutas e disponibilizar a produção para o grupo do Processamento.

 

 

Grupo da Horta

Esse grupo será responsável pela horta desde o seu princípio, bem como elaborar o projeto partindo dos cálculos até a demanda do consumo escolar, selecionar o espaço, preparar o solo, efetivar o plantio, garantir uma escala no cultivo e acompanhar todo seu ciclo de produção. Da mesma forma também é responsável pela colheita e disponibilização da produção para o grupo do Processamento.

 

Grupo da Lavoura

Esse grupo será responsável em selecionar, analisar e preparar o solo, efetuar o plantio e fazer o acompanhamento de culturas de maior porte como: melancia, melão, mandioca, milho, abóbora, feijão vagem etc. Aplicando se necessário as técnicas de controle de pragas/insetos, além de colher e disponibilizar a produção ao grupo de processamento e para alimentação dos animais.

 

Grupo das Mídias

 

Esse grupo assume a responsabilidade de percorrer os espaços da escola e garantir todos os registros fotográficos, vídeos, relatórios, roteiro de visitas e recepções, cerimoniais, auxiliar nas organizações dos eventos da escola, elaborar os informativos e publicar nos meios de comunicações (site, pagina facebook, Instagram, youtube, WhatsApp e publicações em jornais.

 

Grupo da Organização

Este grupo tem como compromisso manter a organização e limpeza dos espaços da escola, espaços como: refeitório, salas de aula, alojamentos, banheiros, corredores, manutenção da parte interna, jardinagem, coleta e armazenamento do lixo reciclável e outros.

 

Grupo do Processamento

Este grupo tem a função de processar os produtos de origem animal e vegetal oriundos do setor produtivo da escola, tanto para consumo dos estudantes, quanto para comercialização, além de preparar o lanche da tarde.

 

Grupo do Viveiro

Este grupo é responsável por produzir todas as mudas nativas, frutíferas, enxertia, ornamental e olerícolas, que os diversos grupos precisam para dar conta dos setores de produção.

Na sexta feira a rotina é diferenciada, uma vez que não acontece o trabalho prático com estudantes, pois os mesmos participam de aulas teóricas no período matutino. Às treze horas recebem os trabalhos e atividades à serem realizados no TC – Tempo Comunidade e também realizam a avaliação da semana. Para realização da avaliação da semana os estudantes recebem uma folha de almaço pauta e ali eles têm a oportunidade de escrever tudo que estão sentindo, desde a metodologia do professor, alimentação, problemas estruturais, sugestão, enfim é um espaço onde tem a liberdade de se posicionar frente a sua vida escolar. Após os estudantes terminarem o coletivo de professores fará a leitura para discutir os pontos mais significativos.

 

Tempo comunidade

No período em que os estudantes tiverem em suas casas será considerado o tempo comunidade, pois na pedagogia de alternância neste momento será considerado momento letivo e o mesmo tem carga horaria a cumprir. Para cumprimento da carga horaria toda a sexta-feira do tempo escola os professores encaminham um enunciado de um trabalho a ser realizado no tempo comunidade, trabalho este, que pode ser por uma única área ou várias áreas integradas.

O trabalho de tempo comunidade seguirá a seguinte lógica: • Observação da realidade; • Pesquisa (comunidade, família ou bibliográfica); • Desenvolvimento prático e aplicação na propriedade; A estrutura do enunciado deve conter: • Cabeçalho • Professor: • Área: • Eixo Norteador: • Temática: • Enfoque: • Tema de Estudo: • Um texto base para esclarecimento e motivação do tema e ser estudado; • Pontos de aprofundamento e pesquisa.

Caderno de campo, outra ferramenta pedagógica, muito importante para o tempo comunidade, onde neste, o estudante faz durante a semana anotações referentes às dificuldades enfrentadas na realização das atividades do tempo comunidade e em sua propriedade, relato de situações vivenciadas em sua família e comunidade. Cada estudante tem durante todo o semestre um professor que será seu tutor, responsável por ler e acompanhar suas curiosidades, dificuldades e desenvolvimento, em cada etapa de seu curso.

Todos os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes tanto no tempo escola, quanto no tempo comunidade são organizadas numa pasta de arquivo de trabalho, de forma que ao final de cada semestre sejam organizados e encadernados para que sirvam como material de pesquisa. A pasta de arquivo de trabalho deve seguir os seguintes parâmetros:

• Capa (cabeçalho, título do curso, nome do estudante);

• A pasta será dividida em 10 alternâncias por semestre;

• A ordem de organização dos trabalhos por alternância será com capa (contendo desenho ilustrativo relacionado com o assunto estudado) apostila da área, enunciado do tempo comunidade e o trabalho do estudante;

• A sequência de organização das alternâncias na pasta será da seguinte forma: 1. Linguagens; 2. Ciências da Natureza; 3. Ciências Humanas; 4. Ciências Agrárias; 5. Matemática; OBS: Um dos objetivos do trabalho do tempo comunidade é arrumar mecanismo que a escola contribua com a interação de estudante/família/propriedade;

Outro Trabalho desenvolvido tanto de forma teórica, quanto prática é o TCC. O trabalho de conclusão de curso (TCC) iniciará no segundo semestre do 3º ano e segue os seguintes passos:

• Reunião com as famílias dos estudantes para a fim de esclarecer o que é o TCC e qual o papel da família na participação do trabalho;

• Conversar com os estudantes para definição do tema de trabalho;

• Definir qual professor fará a orientação; (O orientador se definirá conforme a afinidade do tema a ser estudado);

• Fazer formação periódica com os estudantes sobre o TCC;

• O estudante fará apresentações durante o ano letivo do sobre o andamento de seu trabalho para uma equipe de professores e seu orientador, para que possa ser avaliado de como está o direcionamento do trabalho.

• Ao final do ano letivo O modelo do Trabalho de Conclusão do Curso (TCC) seguirá a seguinte estrutura:

• Capa;

• Sumario;

• Introdução;

• Objetivo Geral;

• Objetivos Específicos;

• Justificativa;

• Materiais;

• Metodologia;

• Cronograma;

• Revisão de Literatura;

• Referencial Teórico;

• Relato de experiência;

• Resultado e discussão;

• Considerações finais;

• Referencias bibliográfica;

AVALIAÇÃO

Partindo do pressuposto de que os princípios defendidos pela Escola Estadual Terra Nova nesse documento, em defesa do desenvolvimento integral dos estudantes em todo o seu processo de formação, faz parte desse contexto, a avaliação, instrumento capaz de analisar o processo de ensino-aprendizagem. Assim, as dimensões da avaliação dão-se, no contexto da escola, a partir da avaliação da aprendizagem, da avaliação institucional e da avaliação externa, para, justamente, assegurar “[...] a relação pertinente que estabelece o elo entre a gestão escolar, o professor, o estudante, o conhecimento e a sociedade em que a escola se situa.” (BRASIL, 2013, p. 51).

 

Instrumentos de avaliação da aprendizagem

 

Pasta de atividades

A avaliação dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes faz parte de todo o processo ensino-aprendizagem a fim de orientar e corrigir a rota do trabalho planejado. A avaliação sempre deve ser processual e formativa.

Todo o material disponibilizado aos estudantes para leitura e os trabalhos desenvolvidos por estes, tanto no tempo escola, quanto no tempo comunidade, após corrigidos pelos professores são arquivados e ao final do semestre são encadernados.

Para avaliar são estabelecidos critérios como pontualidade na entrega das atividades propostas para o tempo comunidade, participação nas atividades do tempo escola, organização das atividades, pro atividade e desempenho cognitivo/intelectual.

 

Caderno de campo

O Caderno de campo é um instrumento muito importante para o tempo comunidade, pois é no Caderno de Campo, onde o estudante faz durante a semana anotações referentes às dificuldades enfrentadas em suas atividades encaminhadas pelas áreas para o tempo comunidade, em sua propriedade e relato de situações vivenciadas em sua família e comunidade. Cada estudante tem durante todo o semestre um professor que será seu tutor, responsável de ler e acompanhar suas curiosidades, dificuldades e desenvolvimento, em cada etapa de seu curso.

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